Cocaína em garrafa e MEI para lavar dinheiro: quadrilha tinha método sofisticado para enviar drogas a Europa e Dubai, diz PF

  • 02/04/2025
(Foto: Reprodução)
Parte da carga era misturada ao fentanil, droga sintética que pode levar à morte por overdose. Grupo seria responsável pela preparação, embalagem e envio dos entorpecentes. Polícia Federal realiza operação contra tráfico internacional de drogas em Campinas A quadrilha suspeita de traficar cocaína para países da Europa e Dubai, alvo na manhã desta quarta-feira (2) da operação da White Coffee, da Polícia Federal, usava garrafas térmicas, apelidadas de 'mamadeiras', para despachar a substância sem serem notados por fiscais aduaneiros. Segundo a PF, o grupo montou um esquema criminoso sofisticado. Os integrantes abriam registros como Microempreendedores Individuais (MEIs) para lavar o dinheiro do tráfico, disfarçando a origem ilícita dos ganhos. As informações foram divulgadas pelo delegado da PF de Campinas Edson Geraldo de Souza. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A cocaína enviada tinha dois formatos: uma de alto grau de pureza e outra com menor qualidade, que era diluída em substâncias como fentanil e cafeína. O fentanil é uma droga sintética que se tornou o principal medicamento responsável pelas mortes por overdose de opioides nos EUA. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, sendo dois contra investigados que estão presos desde o ano passado; e três pessoas continuam foragidas. Todos foram expedidos pela 9ª Vara da Justiça Federal. Em entrevista coletiva no fim da manhã, o chefe da Polícia Federal de Campinas deu detalhes sobre como o funcionava o esquema. Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava desde o recebimento de entorpecentes, até a manipulação em laboratório, preparo e envio das remessas. Do recebimento da cocaína ao envio em garrafa térmica Cocaína em garrafa térmica e MEI para lavar dinheiro: como agia quadrilha alvo da PF que traficava para Europa e Dubai Polícia Federal/Divulgação De acordo com a Polícia Federal, ao menos 11 pessoas participavam do esquema em várias etapas. Entre elas estão: o recebimento de cocaína da Colômbia e da Bolívia; a manipulação em laboratório, onde eram produzidas as substâncias, com opções de alto grau de pureza ou de menor qualidade, diluídas em fentanil e cafeína; o embalo e preparo das remessas; o envio para compradores no exterior. "Percebemos uma relação muito íntima de alguns com o exterior para recebimento da cocaína e outros com a logística, conhecimento, da destinação das mercadorias. Havia uma organização interna no país, uma organização externa, tanto de fontes, quanto dos destinatários e o disfarce da mercadoria", explica o delegado. O envio da droga era feito por meio de remessas expressas. O grupo usava uma empresa de fachada para fazer a postagem e a encomenda era encaminhada por meio de companhias de logística que realizam esse tipo de trabalho regularmente ao redor do mundo. Para que a droga não fosse identificada por fiscais aduaneiros, os investigados "disfarçam em garrafas térmicas, mas também chegaram a disfarçar com roupas de criança, sapatinhos, qualquer mercadoria que poderia disfarçar o peso ou a leitura da encomenda postal", completa Edson. Em 2024, durante um período de três meses, a Polícia Federal identificou ao menos 16 envios para países como: Portugal Inglaterra Alemanha Dinamarca Dubai Esquema foi descoberto após prisão de líder Em setembro de 2024 a Polícia Militar descobriu um laboratório clandestino de drogas na Avenida Francisco Glicério, em Campinas. Na ocasião, um homem foi preso após admitir que enviaria cerca de um quilo de cocaína para a Itália em garrafas térmicas. Além dele, os agentes também prenderam o auxiliar logístico da quadrilha. Os dois estão em prisão preventiva desde então. "Isso [a prisão do líder], talvez, tenha desfalcado o funcionamento deles a partir daquele flagrante. Isso nos permitiu, a partir do dispositivo eletrônico dele e da situação que ele tinha conhecer a organização criminosa", comenta o delegado. No local, os policiais apreenderam anotações sobre o esquema de tráfico internacional em folhas do papel. Com esse material e por meio da análise de dados telefônicos, financeiros e bancários, a Polícia Federal descobriu a existência de um grupo sofisticado voltado à preparação, embalagem e envio das drogas. Ainda de acordo com o delegado, outro ponto que chama atenção é a organização financeira, além dos cadastros como MEIs, que disfarçavam a origem do lucro obtido com o tráfico, eles também "usavam PIX em diversas pessoas para diluir e calculavam exatamente quanto de cada coisa viria a produzir o lucro específico que eles esperavam". LEIA TAMBÉM: Rota de tráfico de drogas, Viracopos enfrenta desafios na segurança diante do crescimento Porções de cocaína embaladas por investigados Polícia Federal/Divulgação Preparo em laboratório e dicionário interno O delegado detalha que o laboratório descoberto no ano passado armazenava diversos insumos para a diluição da cocaína, como o fentanil. O objetivo do grupo, segundo ele, era criar porções de menor valor. "Você diminui a cocaína, a pureza da cocaína, mistura com cafeína e, as vezes, fentanil. A ideia é que aquele produto parece poderoso, para causar o efeito, mas que, na verdade, ele seja barato". A organização criminosa também é caracterizada pelo uso de uma linguagem própria, que usava códigos para se referir às substâncias. A cocaína com baixo grau de pureza era chamada de 'peruana', enquanto a mais pura recebia o apelido de 'exportação'. Para substituir o nome do entorpecentes, também eram usadas as palavras 'peixe' e 'café'. Parte da produção do laboratório, principalmente a menos pura, era comercializada regionalmente. "Eles tinham esse laboratório, trabalhavam com a cocaína, mas nós encontramos ali diversas outras drogas, muitos insumos e, inclusive, maconha. Maconha não é uma droga que se destina ao mercado internacional, é mercado nacional, pelo preço não compensaria a exportação". "Normalmente, o comprador final, principalmente o europeu, tende a procurar a cocaína de alta pureza. O fato deles manusearem aqui também demonstra uma característica dos compradores lá, eram pessoas que queriam a droga pronta para fins de distribuição". Crimes investigados Os crimes sob apuração são: tráfico internacional de drogas; associação para o tráfico; lavagem de dinheiro. Somadas, as penas chegam a 40 anos, segundo a PF. Além dos mandados de prisões e buscas, foi decretado o bloqueio de bens e valores que vierem a ser encontrados. A operação leva o nome de White Coffee (do inglês, café branco), em referência ao termo 'café', que era usado pelos investigados para se referirem à cocaína. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/04/02/cocaina-em-garrafa-termica-e-mei-para-lavar-dinheiro-como-agia-quadrilha-alvo-da-pf-que-traficava-para-europa-e-dubai.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Anunciantes